sábado, 4 de julho de 2009

Melancólica Ilusão


Madrugada fria, escura
No céu nuvens baixas ou neblina
Perdido ao doce sabor dos ventos
E do breu como de costume

Caminhava já compulsivamente
Com pressa de chegar em casa e aquecer-me ao fogo da lareira
Que em momento como este
Era substituído por goles de rum de meu garrafeado prata

Foi por detrás de uma pilastra que vi sua silhueta
A luz do luar refletia suas curvas e seu corpo alvo
Teus belos e negros cabelos bailavam na brisa
E teu jeito gracioso fez me criar esperanças

O frio passara como que subitamente
As roseiras todas perseguiam sua beleza
Fui em sua direção, mas é como se estivesse afastando
Corri e corri pelo labirinto de trepadeiras que formara até ti
Mas não conseguia alcançar-te

Gárgulas apareciam e desapareciam de construções sombrias
O chão e o labirinto pareciam correr também porém contra mim
Não pude ver teu semblante, apenas sentia que meu coração a ti [
já pertencia
Meu anjo, eu te queria

Todavia quando por um descuido me pego preso a ilusões e [levanto-me de meu sonho
Quando dei por conta estava la você a poucos metros à minha [frente
Caminhei com passos cautelosos até ti, olhei-te nos olhos, mas [havia me enganado
Não passava de uma estatua de expressão petrificada e olhos que
[emergiam sangue de dor por falta de sua alma.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Flores de um sepulcro



O castelo ja era sombrio e gelado, as trevas tomavam conta de toda sua construção, aquele vento frio, de almas, que soprava folhas dava um aspecto de abandono e o tempo nublado como o semblante de uma jovem noviça, chorava, lagrimas de solidão.

No meio do jardim externo do castelo, havia um mausoléu; abandonado há anos, com toda sua estrutura feita e esculpida em mármore branco ja gasto pela ação do tempo, o amarelado intenso tomava conta de seu exterior pela ação erosiva da água e raizes de plantas trepadeiras escalavam-o. Dentro, tocos de velas queimadas e parafina derretida era o que se encontrava no canto das paredes, velha iluminação de época; o caixão ou sarcófago ficava exposto bem no centro, feito de marmore tambem, com o retrato de uma mulher e flores secas em sua superficie; quando bate o vento de almas e entra alguém.

Arthur Westwinder, ex-residente do castelo havia chego.

Seu semblante pálido como cera de vela, seus olhos e seus cabelos negros como a noite e seus lábios puros e doces como o mel das abelhas, voltaram-se para o sarcófago e admiravam o retrato daquela bela jovem e suas flores secas. Seus longos e finos dedos pegaram o retrato de Tereza Soberman, mulher bonita da época, com longos cabelos negros, seus olhos verdes como algas marinha, seus lábios de cereja e sua pele fina e macia como seda, e ele espantado e estático começa a admirá-la ao mesmo tempo que lágrimas de sangue correm por seus olhos.

Ele sem se notar, quando retirou o retrato da bela moça de cima do caixão, reparou que havia talhado no mármore um nome acompanhado de uma data, após ler, deixou cair de suas mãos o retrato e foi embora revoltado ao mesmo tempo que um grito soou. No caixão havia escrito Arthur Westwinder, nascido em 27/01/1830 e falecido em 03/10/1852.

Ele morrera jovem ainda, era tuberculoso, e o retrato que segurava era o de sua amada, que havia perdido na juventude, devido a sua doença.